Uma moçambicana em... | A mozambican in...

Uma moçambicana em… Paris | A mozambican in… Paris

(English version below)

Então, em 2016 tive a oportunidade de viajar até Paris, a trabalho.

Claro que como qualquer africano, viajar para a Europa é sempre uma emoção. A não ser que seja uma pessoa que viaja frequentemente (e por frequentemente digo 4 a 5 vezes ao ano), para os restantes comuns mortais que vão uma vez por ano ou uma vez quando calha à Europa, esta viagem é uma emoção.

Começa com a escolha da roupa. Pois bem… então vou a Paris, em Abril, e não tenho mais ninguém a quem perguntar sobre o tipo de roupa a levar sem que sejam os meus colegas franceses. Os meus colegas franceses, claro, acham que em Abril já está imenso calor na Europa e que “Ne vous inquiétez pas du froid, parce que c’est déjà le printemps” que é como quem diz que posso até ir cheia de tops de alças na mala que não vou ter frio nenhum pois a Primavera já lá está há cerca de um mês.

E eu, claro, desconfio. E ainda bem, pois a catrefada de camisolas e casacos (de malha… que é o que temos por cá) que levei na mala, bem que me deram jeito naqueles diazinhos de Primavera…

Então, a primeira sensação ao sair no aeroporto Charles de Gaule foi exactamente como levar uma chapada de alguém que tinha as mãos dentro de um balde de gelo. Isso mesmo. Eu saí do aeroporto para ir ver se via algum táxi por ali e… voltei imediatamente para dentro. Eram 5 da manha e estava tanto frio que nem consigo descrever com palavras. A minha sorte foi que levei comigo um cachecol já desconfiada da Primavera calorosa que os meus colegas diziam.

Apanhei um táxi para o hotel e, 45 minutos depois estava eu a chegar aos Champs-Elysées, enjoadíssima da condução do sr. taxista que acho que estava com sono essa manhã, tamanhos eram os solavancos que o carro dava. Mas a paisagem… as autoestradas… ahhhhh tudo tão limpo, estradas grandes, trânsito organizado… enfim, Europa!

Rua de Paris
Rua de Paris | Paris Streets

O hotel era giro, numa transversal aos à avenida dos Campos Elísios (Champs-Elysées), e ficava pertíssimo desta avenida, de metro, transportes, lojas, restaurantes, tudo. Perfeito para quem não se movimenta muito bem em cidades “enormes” europeias.

Pela internet tinha comprado um bilhete de sight seeing naqueles autocarros “hop on hop off” para fazer a visita à cidade no dia seguinte, que era Domingo. Assim, no Sábado não me aventurei muito e no Domingo acordei cedinho para fazer render o dia.

Enquanto tomava o pequeno-almoço no hotel (sim sim… croissants e essas coisas), vi um hóspede do hotel a descer e sair pela porta fora, vestido com roupa de jogging. Achei muito bem, claro, mas eu também já sabia que os europeus eram mais dados ao desporto “de rua” que nós os mozes. Entretanto, desce um casal de hóspedes também vestido com roupas de desporto. “Eh láááá”, pensei eu… “muito bem! Esta malta cuida da saúde”. Ao terceiro hóspede vestido com calções e t-shirt e ténis de corrida eu já me dizia a mim própria que tinha sido mesmo parva em não ter trazido também os meus trajes de jogging, pois pelos vistos desporto de rua por ali era “a cena”.

Qual não é o meu espanto quando 5 ou 6 hóspedes atléticos depois saio do hotel para o meu “city tour” e encontro cerca de 57.000 pessoas vestidas com os mais variados trajes atléticos possíveis. E a razão? À porta do meu hotel, nada mais, nada menos do que a Maratona de Paris. Pois é, que sorte, não é? Sim, fantástico” Uma multidão de pessoas que, cerca de uns 15 minutos depois, estavam a começar a correr, naquele que foi um Domingo ensolarado, para bem deles e meu, que estava enfiada em quase todos os casacos que tinha levado comigo.

Uma emoção muito grande que depressa se tornou desespero porque eu não conhecia a cidade e tinha o meu bilhete do city tour a começar no Arco do Triunfo. Só que… todas ou quase todas as ruas da cidade estavam fechadas para a maratona e o resultado foi que andei feita louca, a pé, em Paris, à procura de um ponto onde parasse o “meu” autocarro. Ora não conhecendo, isto tornou-se na caça aos gambuzinos… e o raio do gambuzino que não aparecia. 2h:30m depois lá encontrei o ponto do BUS na Ópera de Paris, onde fui dar “por acaso”.

Quando vejo o BUS, nem queria acreditar. Fui directa a ele e um rapaz muito amavelmente veio receber-me e recolher o bilhete para a entrada, mas eu nem o deixei falar, pois comecei logo a reclamar a dizer que uma pessoa de fora não conhecia e que eles deviam ter avisado, na altura em que eu havia comprado o bilhete, que era um dia em que as ruas estariam todas fechadas, bla bla bla. Eis quando o rapaz me pede muitas desculpas e me pergunta de onde eu vinha. Claro que respondi “Moçambique” com aquele timbre de “e ainda vou ter de explicar onde é”, quando o rapaz, dos seus 20 anos no máximo, abre um sorriso enorme e diz-me em Português. “Eu sou moçambicano. Já nasci em França, mas a minha mãe é de Inhambane”.

Ahahahah palavras para quê? Acabou-se a reclamação e pronto, lá embarquei no autocarro vermelho garrido onde permaneci uma hora sem me mexer a recuperar das 2h:30m de tortura à procura do ponto de BUS perdido.

Através do Big Bus Paris consegui visitar a cidade toda com um bilhete válido por 24 horas, pelo que ao validá-lo às 10:30 desse dia, tive até às 10:30 do dia seguinte para o usar. E valeu muito a pena, pelo que aconselho.

Big Bus Paris
Big Bus Paris. Fonte | Source: https://www.viator.com/tours/Paris/Skip-the-Line-Louvre-Seine-River-Cruise-Big-Bus-Hop-On-Hop-Off-and-10-Metro-Tickets/d479-6602FULLPASS

Nos dias seguintes, para além de ter ficado a perceber que tinha de melhorar (e muito) o meu Francês (pela quantidade de vezes que me respondiam “do you speak english?”), fiz o trabalho que tinha a fazer e ainda tive a sorte de passar lá mais um fim-de-semana que me permitiu conhecer outras partes da cidade, o que foi muito agradável.

As capitais europeias são muito diferentes da minha capital africana. Ali, as pessoas são corteses, mas mantêm a distância. Os sorrisos custam a sair e anda-se depressa. A vida urge, é preciso correr para apanhar o metro, o comboio ou o autocarro, portanto não há tempo a perder. Aqui, cada um pode ser como quer pois as pessoas nem notam na diferença. Acredito que ninguém olharia para mim nem que eu tivesse de amarelo fluorescente dos pés à cabeça. Anda toda a gente num ritmo apressado e preocupado com a sua própria vida. O metro é um “mar de gente” apressada para seguir a sua rotina e sem tempo para parar e dar indicações a quem não é dali. E quando param, o ritmo da explicação é o deles, não o de quem precisa.

Diferenças culturais tão boas de se viverem. É isto que nos enriquece.

Ah… e no último dia em Paris consegui tirar o casaco, uma vez, ao sol… deviam estar uns 22 graus ehehhehe. Mas vi muita gente nos parques a usufruir do sol que neste dia sim, mostrou ser um sol primaveril. Era a minha despedida!

Au revoir Paris!

Jardim de Luxemburgo - Paris  |  Luxembourg Gardens - Paris
Jardim de Luxemburgo – Paris | Luxembourg Gardens – Paris

 

So, in 2016 I had the opportunity to travel to Paris, to work.

Of course, like any African, traveling to Europe is always an emotion. Unless you are a person who travels often (and by often I mean 4 to 5 times a year), other ordinary mortals (like me) who travel to Europe once a year or once every two years, consider this trip an excitement.

It starts with the choice of clothes. Well … then I’m going to Paris in April, and I do not have anyone else to ask about the kind of clothes I should take with me, unless my French colleagues. My French colleagues, of course, think that in April the weather in Europe is already warm and that “Ne vous inquiétez pas du froid, parce que c’est déjà le printemps” which is like saying that I can pack a lot of strapless tops that I will not be cold at all since Spring has been there for about a month.

And me, of course, I have serious doubts about that much heat in Europe’s spring. And I’m glad I had my doubts, because the pile of sweaters and coats (jackets … that is what we have here) that I packed, was what saved me in those days of Spring …

So the first feeling of arriving at Charles de Gaulle airport was exactly like taking a slap in the face from someone who had his hands in an ice bucket before slapping me. That’s it. I left the airport to see if I could grab a taxi there and … I went back inside immediately. It was 5 am and it was so cold that I cannot even describe it with words. My luck was that I took with me a scarf in the plane, already suspecting the warm spring that my colleagues said.

I took a taxi to the hotel, and 45 minutes later I was at the Champs-Elysées areas, feeling very sick because of Mr. Taxi driver that I think that was sleepy that morning judging by the bumps I felt all the way between the airport and the hotel. But the landscapes … the highways … ahhhhh everything so clean, good roads, organized traffic … anyway, Europe!

Avenida Champs-Élysées  |  Champs-Élysées Avenue
Avenida Champs-Élysées | Champs-Élysées Avenue. Fonte | Source: http://eurotours.fr/dezembro-em-paris/

The hotel was cute in a small road just across the Champs-Elysées, and was close to metro, bus, shops, restaurants, everything. Perfect for those who do not move very well in “huge” European cities.

I had bought a sightseeing ticket from the internet back home on those “hop on hop off” buses to make the city tour the next day, which was Sunday. So on Saturday I did not venture too much and on Sunday I woke up early to make up for the day.

While I was having breakfast at the hotel (yes yes … croissants and stuff), I saw a hotel guest leaving dressed in jogging clothes. I thought “very good”, but I also knew that the Europeans were more given to “street” jogging than we do here in Moz. Meanwhile, a couple, also guests at the hotel, also dressed in sports clothes left the hotel. “Eh láááá”, I thought … very well! This guys takes care of their health.” Seeing the third guest dressed in running shorts and t-shirts I had already told myself that I had been silly not to have brought my jogging suits as well, as I had seen street sport through it was “the scene”.

5 or 6 athletic guests after, I leave the hotel for my “city tour” and… surprise… there were about 57,000 people dressed in the most varied athletic outfits possible. And the reason? Outside my hotel, nothing more, nothing less than the Paris Marathon. Yeah, how lucky was I? A crowd of people, about 15 minutes later, was starting to run, on a sunny Sunday.

A very big thrill that quickly became despair because I did not know the city and had my city tour ticket starting at the “Arc de Triomphe”. Except that … all or almost all of the Paris main streets were closed because of the marathon, and the result was that I was walking all over Paris, like a crazy person, looking for a bus stop where Big Bus could be. Well, not knowing the city, this became a wild goose chase… and the bus was not showing up. 2h:30m later finally I found the bus stop by the Paris Opera, where I went “by chance”.

When I saw the BUS, I did not even want to believe it. I went directly to it and a very kind boy came to greet me and collect the ticket for the entrance, but I did not even let him speak, for I began to complain that I was a tourist and that they should have warned me when I bought the ticket that there was a marathon and the routes in that day were different because roads would all be closed, bla bla bla. That’s when the boy apologizes to me and asks where I came from. Of course I answered “Mozambique” with that “and I’ll still have to explain where it is”, when the boy, that was about 20 years old, opens a huge smile and sais in Portuguese. “I’m Mozambican. I was born in France, but my mother is from Inhambane.”

Ahahahah no need for words, of course! The complaint was over right there and I was on board the red bus, where I stood quiet for about an hour to recover from the 2h:30m of torture in search of the missing bus stop.

Through the Big Bus Paris I was able to visit the whole city with a ticket valid for 24 hours, so by validating it at 10:30 on that day, I had until 10:30 the next day to use it. And it was very worth it.

In the following days, apart from having to realize that I had to improve my French (a lot… judging by the amount of times that people answered “do you speak English?”), I did the work I had to do and I was fortunate enough to spend another weekend in Paris that allowed me to get to know other parts of the city, which was very pleasant.

European capitals are very different from my African capital. There, people are polite, but keep their distance. The smiles are hard to get out of and people walk fast. Life is urgent, as you have to run to catch the subway, the train or the bus, so there is no time to lose. In these please, one can be as he wants because people do not even notice if you are different. I do not think anyone would take a second look at me even if I had dressed in fluorescent yellow from head to toe. Everybody walks in a hurried pace and worries about their own lives. The subway is an “ocean of ​​people” hurried to follow their routine and with no time to stop and give directions to those who are not from there. And when they stop, the rhythm of the explanation is theirs, not yours.

Cultural differences are so good to see. This is what enriches our souls.

Oh … and on the last day in Paris I managed to take off my coat off, once, in the sun … it was about 22 degrees ehehehe. But there was a lot of people in the city parks enjoying the sun, which, on this day, was a spring sun. It was my farewell!

Au revoir Paris!

Pontes de Paris  |  Paris Bridges
Pontes de Paris | Paris Bridges
Paris - Roda Gigante da Place de la Concorde
Paris – Roda Gigante da Place de la Concorde | Place de la Concorde Giant Wheel
Paris - Pont des Arts
Paris – Pont des Arts | Pont des Arts – Paris
Paris - Moulin Rouge
Paris – Moulin Rouge | Moulin Rouge – Paris
Paris - Museu do Louvre
Paris – Museu do Louvre | Louvre Museum – Paris
Paris - Catedral de Notre-Dame
Paris – Catedral de Notre-Dame | Notre-Dame Cathedral – Paris
Paris - Basílica do Sacré Coeur, Montmartre
Paris – Basílica do Sacré Coeur, Montmartre | Paris – Basilica of the Sacré Coeur, Montmartre

 

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s