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Capulana: muito mais que um pano | Capulana: much more than a cloth

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(English version below)

Em Moçambique, onde estiverem mulheres moçambicanas, o mais provável é ver o acessório que sempre as acompanha: a capulana.

A capulana é a vestimenta quotidiana e multiuso das mulheres moçambicanas, pois a mesma pode ser usada como roupa, pode apenas ser “amarrada” em cima da roupa, pode transformar-se num “canguru para transportar o bébé – que em Moçambique se chama “neneca” –, pode servir de lençol, pano para não sentar no chão ou até toalha de mesa.

Fascínio e curiosidade são dois dos sentimentos que este bocado de tecido colorido causa a quem não é da terra, uma vez que os padrões alegres e vibrantes não escapam à vista de ninguém.

As capulanas chegaram a África através das trocas comerciais entre árabes persas e povos do litoral que começaram a existir em Moçambique por volta dos séculos IX a X. Nesta altura, a capulana era usada apenas pelos monarcas, representando o seu poder. Só depois mais tarde é que a capulana foi adquirindo um carácter mais quotidiano e acessível a toda a gente.

Como descrito acima, a capulana é hoje um complemento da vestimenta da mulher moçambicana, e é usada de forma diferente nos diversos países africanos, sendo que em Moçambique é algo usado no dia-a-dia e principalmente em cerimónias como casamentos, cerimónias religiosas, funerais, ritos de iniciação, etc.

No entanto, há também distinção entre capulana de dia-a-dia e capulana de dia de cerimónia. Em algumas partes de Moçambique, por exemplo, o tipo de capulana e a forma como a mulher a enverga indica o seu estado civil, denunciando se a mulher ainda é solteira, se está noiva, se é casada ou até se enviuvou.

A capulana é preciosa para a mulher moçambicana e normalmente cada capulana é distinta da outra, contando uma história diferente. Cada capulana tem a sua proveniência e tem um significado que existe desde o dia em que lhe foi oferecida.

Em Angola, a capulana é chamada de “pano”. Por “kitenge” ou “chitengue” é como é conhecida na Zâmbia e na Namíbia. Já no Brasil e em Portugal, a mesma é denominada “canga”.

Comprar capulanas em Maputo

As capulanas também têm “categorias” e, por esse motivo, é na qualidade que elas se distinguem. As de melhor qualidade são de algodão e são mais caras, no entanto, em termos de tamanho, as capulanas têm o tamanho standard de 1.80m de comprimento e 1.15m de largura e isto não difere, pois o preço é fixado “por capulana”.

A primeira ideia que me vem à cabeça quando os meus amigos de fora me pedem para comprar capulanas, é a Casa Elefante, uma lojinha discreta e “atafulhada” na baixa da cidade de Maputo (Rua da Mesquita – Maputo). Também não é para menos, uma vez que esta loja existe desde 1919, tem como donos uma família de origem indiana, que há sensivelmente 100 anos que vende capulanas no mesmo local. Isto é FANTÁSTICO!

Casa Elefante
Casa Elefante

Compram-se capulanas também na FEIMA – Feira de Artesanato, Flores e Gastronómica (Parque dos Continuadores – Maputo), um espaço tipo “feira” onde pode falar com os artesãos e comprar/regatear todo o tipo de lembranças tradicionais. Neste espaço pode comprar capulanas na banca da D. Dulce ou na banca da D. Isa. A Dona Isa até faz os acabamentos ou faz peças sob medida.

A capulana no design de moda

Nos dias que correm, a capulana é já utilizada por vários estilistas como parte das suas criações de moda, e já há vário tipo de roupa feita com estes padrões, sendo ela para mulher, homem ou criança. Se anteriormente a capulana era tradicionalmente usada apenas pelas mulheres, hoje em dia cada vez mais homens se vestem com os seus tecidos coloridos, transformados em calças, calções ou camisas.

A capulana está também a ser levada para o exterior através de estilistas nacionais e internacionais e já é vista em passareles e shows de moda fora do país.

– Wacy Zacarias

Começou em 2008 com o lançamento da sua marca Woogui e em 2009 participou na primeira apresentação da colecção em Milão. Em 2010 ganhou o prémio young designer no Mozambique Fashion Week – o maior evento de moda em Moçambique que reúne estilistas e modelos nacionais e internacionais).

Através da sua marca e da sua sócia Djamila Sousa – Karingana Wa Karingana – assumem-se como “entusiastas contadoras de histórias que acreditam na mudança da narrativa africana através dos têxteis”. Ao mesmo tempo, a marca pretende informar e educar os consumidores de todo o mundo sobre a autenticidade do design dos têxteis africanos, elevando o seu status e mudando a maneira como as pessoas o percebem.

Info: http://karinganatextiles.com/

– Taibo Bacar

Nascido em Moçambique em 1985 e filho de uma costureira, cedo percebeu que o seu futuro não passava pelos cursos de Tecnologias de Informação ou Gestão de Empresas que “ensaiou” seguir enquanto universitário. É durante a universidade que se rende à sua paixão e, embora a moda fosse praticamente inexistente em Moçambique nessa altura, Taibo persiste e ruma a Espanha onde faz – no Instituto Marangoni – pequenos cursos de modelagem e desenho técnico.

Cria a marca Taibo Bacar em 2007 e, embora não se preocupando em seguir tendências, chamou a atenção do público internacional aquando da sua participação, em 2010, no Milan Fashion Week. As suas criações comportam modelos que misturam as mais variadas tendências internacionais com a tradicional capulana.

Info: https://www.facebook.com/atelliertaibo.bacar.1/

– Shaazia Adam

Magnetismo e elegância são os adjectivos que descrevem esta estilista ainda muito nova, mas que revela um percurso amplamente internacional.

Shaazia estudou em Londres no Instituto Marangoni e estagiou no Alexander McQueen, que lhe concedeu uma grande experiência em moda, altura em que percebeu que o seu futuro por ali passava. Criou a marca com o seu próprio nome em 2007 e recentemente o projecto tomou maior dimensão em conjunto com a sua amiga e sócia Sharon Raston.

Embora a capulana não seja o seu tecido de eleição nas criações, tem sempre peças que comportam o tradicional tecido nas suas colecções e cria modelos que incorporam outros tecidos juntamente com a capulana. Em 2017, uma das suas criações foi envergada por Priscila Jesse, a modelo moçambicana vencedora do concurso Miss Star Universe realizado em Portugal.

Info: https://shaazia-adam.squarespace.com; https://www.facebook.com/shaaziaadam2007/

Shaazia Adam
Criação de Shaazia Adam. Imagem retirada da página de Facebook da estilista | Shaazia Adam creation. Image from the designers Facebook page

– Íris Santos

Portuguesa de pátria, moçambicana de alma, Íris mudou-se para Moçambique em 2011 e desde aí que não para de criar com Capulana. Foi uma das primeiras estilistas em Moçambique a ornamentar as suas criações com retalhos de capulana, para além de ter também criado uma linha de malas com apontamentos deste tecido.

A capulana tornou-se numa paixão principalmente pelas suas cores vivas e intensas e logo em 2012 apresenta a sua colecção em Moçambique e também na Alemanha, levando assim a capulana para mercados internacionais.

Para a estilista, a capulana está sempre inserida nas suas criações de forma a gerar uma fusão de diferentes culturas num estilo muito próprio.

Info: www.irissantosdesign.com

Outros:

  • M’Whandro Mangoba – Criador da marca Baco Baco (2013):

https://www.instagram.com/whandro

http://www.infashionafrica.com/pt-pt/mwhandro-mangoba-best-young-designer-no-mocambique-fashion-week-2016

  • Louiggi Luciano Junior

www.facebook.com/louiggi.l.junior

www.instagram.com/louiggilucianojunior

www.perola-negra.com/blog/louiggi-junior-os-estilistas-sao-cacadores

  • Ideias a metro

www.facebook.com/Ideiasametro;

http://styleitup.sapo.pt/ideias-a-metro-170815

  • Capulana Arte

www.facebook.com/CAPULANA-ARTE-112673852116960

  • Joana Capolana

www.facebook.com/JoanaCapolanaStore

  • Beleza Africana – Capulana (Lisboa, Portugal)

www.facebook.com/BELEZASAFRIKA

  • Just Capulanas (Lisboa, Portugal)

www.facebook.com/just.capulanas

  • Da Pangéia (Brasil)

www.facebook.com/dapangeia

In Mozambique, where there are Mozambican women, the most likely thing to see as an accessory that always accompanies them, is the traditional cloth called capulana.

The capulana is the daily and multipurpose cloth of Mozambican women, since it can be worn as a skirt, can be “tied” on top of the clothes, can become a baby carrier – which in Mozambique is called “neneca”- can serve as a sheet, cloth to avoid siting on the floor or even tablecloth.

Fascination and curiosity are two of the feelings that this piece of colored cloth causes to those who are not from Mozambique, since the joyful and vibrant patterns do not escape anyone’s sight.

The capulanas arrived in Africa through trade between Persian Arabs and coastal peoples that existed in Mozambique around the 9th to 10th centuries. At this time, the capulana was used only by the monarchs, representing their power. Only later the capulana did acquire a more everyday character and became accessible to all people.

As described above, capulana is nowadays a complement to the clothing of Mozambican women, and is used differently in the various African countries. In Mozambique it is used in daily life and especially in ceremonies such as weddings, religious ceremonies, funerals, initiation rites, etc.

However, there is also distinction between day-to-day capulana and capulana to use in a ceremony day. In some parts of Mozambique, for example, the type of capulana and the way women use them indicates her marital status, denouncing whether the woman is still single, whether she is engaged, married or even widowed.

The capulana is precious to Mozambican woman and usually each Capulana is distinguished from the other, telling a different story. Each capulana has its provenance and has a meaning that has existed since the day it was offered.

In Angola, the capulana is called “cloth.” In Zambia and Namibia is known as “kitenge” or “chitengue” is as it is known in Zambia and Namibia and in Brazil and Portugal, it is called “canga”.

Buying capulanas in Maputo

The capulanas also have “categories” and, for that reason, it is in their quality that they are distinguished. The best quality are the one made of cotton, being also more expensive, however, in terms of size, they have the standard size of 1.80m long and 1.15m wide and this does not differ, as the price is fixed “per capulana” .

The first idea that comes to my mind when my friends from abroad ask me where to buy capulanas is Casa Elefante, a small and discreet shop in downtown Maputo (Rua da Mesquita – Maputo). Not surprisingly, as this store exists since 1919 and has as its owners a family os Mozambicans of Indian origin, which has been around for 100 years selling capulanas in the same place. This is FANTASTIC!

Capulanas can also be bought at FEIMA – Handicrafts, Flowers and Gastronomic Fair (Parque dos Continadores – Maputo), an “open market” type of space where you can talk to artisans and buy lots of traditional souvenirs. Here you can buy capulanas in the stand of Mrs. Dulce or in the stand of Mrs. Isa. Mrs. Isa even makes the finishes or makes tailor made pieces with capulana.

Feima
FEIMA

The capulana in fashion design

Nowadays, the capulana is also used by many designers as part of its fashion creations, and there are already several types of clothes made with these chlotes, whether it is for women, men or children. If capulana was traditionally used only by women, today more and more men dress with these colored fabrics, transformed into trousers, shorts or shirts.

The capulana is also being taken abroad by national and international stylists and is already seen in catwalks and fashion shows outside the country.

– Wacy Zacarias and Djamila Suosa

She began in 2008 with the launch of her fashion brand Woogui and in 2009 presented her first demonstration of her collection in Milan. In 2010 she won the young designer award at Mozambique Fashion Week – the largest fashion event in Mozambique that brings national and international designers and models).

Through her brand together with her partner Djamila Sousa – Karingana Wa Karingana – they present themselves as “enthusiastic storytellers that believe on change the Africa narrative through textiles”. At the same time, the brand aims to inform and educate consumers around the world about the authenticity of African textile design, raising its status and changing the way people perceive it.

Info: http://karinganatextiles.com/

– Taibo Bacar

Born in Mozambique in 1985 and the son of a seamstress, he soon realized that his future did not go through the degrees in Information Technology or Business Management that he “planned out” to follow as a university student. It was during university that he surrenders to his passion and, although the fashion was practically nonexistent in Mozambique at that time, Taibo persists and goes to Spain where he makes – in Marangoni Institute – small courses of modeling and technical drawing.

He created the Taibo Bacar brand in 2007 and, while not bothering to follow trends, attracted the attention of the international public when he participated in 2010 at Milan Fashion Week. His creations include models that mix the most varied international trends with the traditional Capulana.

Info: https://www.facebook.com/atelliertaibo.bacar.1/

Criações de Taibo Bacar
Criações de Taibo Bacar. Imagem retirada da internet | Taibo Bacar creations. Image from the internet

– Shaazia Adam

Magnetism and elegance are the adjectives that describe this stylist still very young, but that reveals a broadly international route.

Shaazia studied in London at the Marangoni Institute and was a trainee at Alexander McQueen, which gave her great experience in fashion, to a point that she realized that her future was in the fashion field. She created the brand under her own name in 2007 and recently the project took on a larger dimension together with her friend and partner Sharon Raston.

Although capulana is not her fabric of choice in creations, she has pieces that hold the traditional fabric in her collections and always creates models that incorporate capulana along with other fabrics. In 2017, she dressed, with a beautiful capulana dress, the Mozambican model – Priscila Jesse – who won the Miss Star Universe competition held in Portugal.

Info: https://shaazia-adam.squarespace.com;

https://www.facebook.com/shaaziaadam2007

– Iris Santos

Iris moved to Mozambique in 2011 and since then has not stopped designing clothes with capulana. She was one of the first designers in Mozambique to decorate her creations with scraps of capulana, besides having also created a line of bags with scrapings of this fabric.

The capulana became a passion mainly for its bright and intense colors and in 2012 she presents her collection in Mozambique and also in Germany, thus taking the capulana to international markets.

For the stylist, the capulana is always inserted in her creations in order to generate a fusion of different cultures in a very own style.

Info: www.irissantosdesign.com

Others:

  • M’Whandro Mangoba – Creator of Baco Baco brand (2013):

https://www.instagram.com/whandro

http://www.infashionafrica.com/pt-pt/mwhandro-mangoba-best-young-designer-no-mocambique-fashion-week-2016

  • Louiggi Luciano Junior

www.facebook.com/louiggi.l.junior;

www.instagram.com/louiggilucianojunior;

www.perola-negra.com/blog/louiggi-junior-os-estilistas-sao-cacadores

  • Ideias a metro

www.facebook.com/Ideiasametro;

http://styleitup.sapo.pt/ideias-a-metro-170815

  • Capulana Arte

www.facebook.com/CAPULANA-ARTE-112673852116960

  • Joana Capolana

www.facebook.com/JoanaCapolanaStore

  • Beleza Africana – Capulana (Lisbon, Portugal)

www.facebook.com/BELEZASAFRIKA

  • Just Capulanas (Lisbon, Portugal)

www.facebook.com/just.capulanas

  • Da Pangéia (Brazil)

www.facebook.com/dapangeia

Iris Santos
Criações de Íris Santos. Imagens retiradas do website da estilista | Íris dos Santos creations. Images from the designers website
Louiggi L. Junior
Criações de Louiggi L. Junior. Imagens retiradas da internet | Louiggi L. Junior creations. Images from the internet

 

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